quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O cachê de Djavan na propaganda do IPTU de Maceió

Eu, como tantos que nascem por aqui, tenho com Maceió uma relação que vai, em gradações diversas, do amor ao ódio.

Penso que a capital alagoana se assemelha a maioria das pessoas muito bonitas – e que sabem que são bonitas: descuidam de outras virtudes, que lhe seriam essenciais.


Eis que em Maceió nasceu e cresceu um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos. Ele, Djavan, é a tradução mais perfeita do que os modernistas de 1922 pregavam: receber todas as influências estrangeiras possíveis e transformá-las, com talento, no mais autêntico produto nacional.


A isso, eles – os modernistas – chamariam de antropofagia cultural, uma tarefa só possível a poucos, muito poucos. Djavan conseguiu o que só Tom Jobim havia alcançado antes. Faz uma música internacional com a melhor marca da MPB.

Foi com agradável perplexidade que ouvi, ontem, a voz do artista na boa propaganda sobre o IPTU de Maceió. O inesperado trouxe uma bela surpresa.


Outra veio em seguida: quis saber como ele havia aceitado o convite para a publicidade, e soube bem mais.

O contato foi feito através de amigos comuns e o "pequeno cachê" terá uma destinação grande: Djavan resolveu doá-lo a uma instituição de caridade, aqui mesmo, em Maceió.


Ele não queria que esta última informação fosse divulgada. Cometo esta "inconfidência" como manifestação da minha admiração pelo artista e pelo homem.


Ricardo Mota


Nelma Nunes
Alagoas


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