A revista “GEO Brasil” trouxe artigo especial sobre 3.500 anos de mulheres no poder. A cronologia de mulheres dirigentes vai da rainha egípcia Hatshepsut (1479-1458 a.C) até Jadranka Kosor, nomeada primeira-ministra pelo Parlamento da Croácia em 2009. O texto destaca algumas mulheres em especial, que governaram a Europa, imprimindo sua marca à evolução do continente, como Elisabeth I, na Inglaterra; Catarina II, no Império Russo; e Margaret Thatcher, na Grã-Bretanha.
De acordo com o autor, Mathias Mesenhöller, pesquisador-assistente no Centro de Ciências Morais, História e Cultura da Europa Central, em Leipzig, mais de 80 mulheres foram eleitas Chefes de Estado ou de Governo desde 1945, mais de 90% delas somente após 1979, principalmente nos anos 1990.
Segundo Mesenhöller, “estamos em meio a uma mudança de caráter épico. Nunca antes tantas mulheres mandaram simultaneamente. Pela primeira vez, e de modo crescente, a pretensão feminina diante do Poder encontra, em grande parte do mundo, franco acolhimento”, suscitando grandes esperanças.
Se antes a biologia era usada para afastar as mulheres do poder, afirmando serem elas inconstantes, pouco sagazes, inferiores aos homens, tanto física como intelectualmente, agora, para o pesquisador, os defensores das mulheres no poder se baseiam nas diferenças biológicas para fundamentar sua esperança: elas têm constituição radicalmente diferente, são mais sociáveis, moralistas e empáticas. Por isso “o poder feminino poderia livrar o mundo das guerras e crises masculinas, das rixas e lutas por status e dominação”.
Apesar dos preconceitos históricos, a História, segundo a revista, não fornece indicação da influência da Biologia na questão de quem pode conquistar o poder e como este será usado. “Em vez de hormônios e modelos de atividades cerebrais, isso era determinado por regras sociais e talentos individuais”. Assim, muitas mulheres governaram por razões de sangue ou parentesco, filhas, viúvas, esposas – em sua maioria dotadas apenas de um poder simbólico – ou por escolha através de eleições.
Contraditoriamente, como mostra o autor, a partir desse momento, no século XIX, quando as mulheres não herdavam mais o poder, elas desapareceram completamente do cenário governamental. “A Democracia foi mais eficiente que o Feudalismo para eliminar o Poder feminino”, sendo as mulheres excluídas sob o argumento de que não foram feitas para isso.
Apesar da conquista do voto, na maioria dos países a partir do século XX, passaram-se décadas na Europa até que a primeira mulher assumisse a chefia de um país: Margaret Thatcher, em 1979. E a ascensão política parece ter coincidido com a chamada Revolução Feminista. Nos anos 70, a vanguarda da Revolução Feminista chegou às centrais do poder. Eram grupos de mulheres que se beneficiaram de grande crescimento cultural, ampliação de chances profissionais e ofertas de assistência infantil gratuita.
Mesmo assim, Mathias Mesenhöller afirma que embora as mulheres agora possam votar em massa, “o equilíbrio do poder só se altera lentamente”. Entre os fatores enumerados estão: agremiações masculinas, fragmentação social do eleitorado e reflexos conservadores. Porém, a principal razão é que “a moderna ideologia dos sexos estrangula qualquer pretensão feminina ao poder”. “Galgar a escala da ascensão social e, simultaneamente, conquistar a emancipação sexual, foi façanha de uma mulher que até hoje ainda suscita certa incredulidade e horror nas mentes de muitas feministas”.
Apesar das inúmeras conquistas, principalmente nos países industrializados, como formação acadêmica superior à masculina, autonomia econômica e sexual, e maiores chances de alcançar postos de decisão, o fato de ocuparem uma pequena fração do poder, 20% dos Legislativos mundiais, é um anacronismo, segundo o artigo.
Estudo citado de autoria da pesquisadora Esther Duflo, do Massachusetts Institute of Technology, afirma que nos lugares administrados por mulheres os preconceitos diminuíram significativamente, e as chances de mulheres vencerem eleições livres aumentaram. Ou seja, “a visibilidade das mulheres no poder reduz os preconceitos contra elas”.
Mathias Mesenhöller conclui que quando as mulheres alcançam o poder, o mundo fica mais justo e inteligente. “Não porque governem de forma radicalmente diferente dos homens, mas porque a maior parte dos boatos sobre alegadas diferenças entre os sexos circula menos”.
Confira a íntegra da matéria:
http://revistageo.uol.com.br/cultura-expedicoes/12/artigo167971-1.asp
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Foi-se o tempo em que os afazeres das mulheres se restringiam à casa. Hoje elas comandam família e empresas
Ser mãe no século 21 é sinônimo de multiplicidade. Executivas, donas de casa, servidoras públicas e empresárias fazem malabarismo com o relógio para encaixar todos os compromissos sem abrir mão dos cuidados pessoais e, claro, das compras. Depois que deixaram para trás o posto de sexo frágil, o que se vê são mulheres com mais anos de estudos que os homens, divididas entre a carreira, a educação dos filhos e a administração financeira da família.
Avanços significativos que ainda esbarram em desigualdades típicas de nações em crescimento. Pelo menos 53% das brasileiras estão em idade economicamente ativa, mas representam apenas 46% da população ocupada, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os salários também são menores. Em 2009, comparando a média anual dos rendimentos dos dois sexos, o ganho delas (R$ 1.097,93) representou, em média, 72,3% do que eles embolsaram (R$ 1.518,31).
As diversas facetas das mulheres não são novidade. “As mulheres sempre foram múltiplas, a diferença é a ampliação dos papéis: de dona de casa a executiva”, explica Marlene Ortega, presidente do Business Professional Women-SP. “Se muitos diziam que ‘atrás de um grande homem há uma grande mulher’, posso dizer que ela não quer mais ficar nos bastidores, quer visibilidade”, afirma
Por isso, a ala feminina (1)no mercado de trabalho aumentou. Em março de 2002, 7,325 milhões trabalhavam. Passados oito anos, elas somam 9,823 milhões — um salto de 35%. Quanto à qualificação, até 2020, as mulheres terão passado os homens, de acordo com o Business Professional Women. No setor privado formal, 76,4% das contratadas têm mais que 11 anos de estudo, contra 57,9% dos empregados. Como donas do próprio negócio, 15,5% completaram o nível superior; entre eles, só 11,4% estão na mesma condição.
A forma de tratar o trabalho também mudou. A diretora executiva do banco suíço UBS, Fernanda Pasquarelli, 38 anos, é exemplo disso. Ela priorizou a carreira ainda na época da faculdade, quando cursou tecnologia da informação no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Os filhos ficaram para depois. “Preferi investir nos estudos e garantir a estabilidade na minha carreira antes de casar e de ter a Laura, 5, e o Lorenzo, de um ano e meio”, conta. Marlene avalia a escolha. “A mulher teve que amadurecer algumas decisões e conquistar seu espaço em casa e na empresa. Além disso, precisou montar um plano, pensar nas estratégias e contar com a adaptação do parceiro à essa realidade”, diz.
Na contramão
Muitas saíram de casa e tantas outras continuam fora da economia: 56,5% estavam desocupadas no ano passado. Uma grande parcela das mães brasileiras, especialmente as de baixa renda, precisam contar com os programas de transferência de renda do governo para garantir o sustento dos filhos. Das famílias beneficiadas pelo Bolsa Família, cerca de 95% são representadas por mulheres. O economista André Urani, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, analisa esse perfil. “Nas famílias pobres, chefiadas por mulheres, as mães engravidam muito cedo e, normalmente, não têm o apoio dos parentes e do companheiro, que as abandonam”, assinala. E completa: “Elas são obrigadas, pela própria situação de gravidez, a abandonar o sistema escolar e depois não conseguem voltar”.
Na visão do economista, sozinhos, os programas sociais não solucionam esse impasse. “Sem creches e sem acesso à capacitação, que poderiam elevar o baixo grau de escolaridade, essas mulheres mantêm um elevado grau de pobreza”, conclui.
Rastros do atraso
Em 2009, de acordo com o IBGE, 10,6 milhões de mulheres formavam a força de trabalho, sendo 9,6 milhões ocupadas e 1,1 milhão desocupa das. Das 64,2% das mulheres empregadas tinham entre 25 e 49 anos e 61,2%, mais de 11 anos de estudo. Entre os homens, os índices eram de 61,5% e 53,2%, respectivamente. Apesar disso, pouco mais de um terço das brasileiras que trabalham no setor privado têm carteira assinada (35,5%).
Presentes salgados
Diante de mulheres cada vez mais independentes financeiramente, os filhos terão que desembolsar mais dinheiro neste ano para presentear suas mães. As flores, os produtos mais vendidos no período, ficaram em 10,77% mais caras em relação ao Dia das Mães do ano passado — o dobro da inflação registrada nos últimos 12 meses.
Para agradar as mães, os brasileiros gastaram, em média, R$ 120 no ano passado, escolhendo um passeio no clube, almoço, flores e uma bolsa de presente. A mesma opção, agora, não sairá por menos de R$ 130,96. Nas contas dos especialistas, o impulso nos custos da data comemorativa está atrelado, pri ncipalmente, aos serviços. Idas ao cinema, aos shoppings, a locais de recreação, almoços e lanches pesaram significativamente nos últimos 12 meses, com alta acumulada de 8%. “Serviços são uma variável que sempre pressionam os índices”, avalia o economista Eduardo Otero, da Um Investimento.
O problema, explica ele, é que, quando os preços dos serviços sobem, vários produtos — sobretudo os característicos do Dia das Mães — acabam seguindo na mesa direção. As roupas registraram alta superior à inflação ao longo do último ano. As saias ficaram 11,5% mais caras. Já sapatos e sandálias registraram altas de 8% (veja quadro).
Mês aquecido
Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indica que os lojistas não darão trégua aos que presentearem, merecidamente, as mães. Como a demanda está aquecida, os empresários se sentem mais confortáveis para reajustar as suas tabelas. A entidade contabiliz ou queda de cinco pontos percentuais no total de consumidores endividados e de 2,9 pontos na quantidade dos que estavam com as contas atrasadas.
O recuo na inadimplência, segundo a economista da CNC Marianne Hanson, foi motivado, entre outras coisas, pela importância da data. Muitos consumidores quitaram as dívidas para garantir um bom presente para as mães. “O percentual de famílias com dívidas caiu devido à ampliação da capacidade de endividamento”, analisa.
Nelma Nunes
Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos (SEMCDH/CEDCA)
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