domingo, 31 de janeiro de 2010

Fundo Brasil de Direitos Humanos - edital 2010

 Fundo Brasil de Direitos Humanos - edital 2010
``Combate à violência institucional e a discriminação``
Apresentação:
O objetivo do Fundo Brasil de Direitos Humanos é promover os direitos humanos no Brasil e sensibilizar a sociedade brasileira para que apóie iniciativas capazes de gerar novos caminhos e mudanças significativas para o país. Nosso compromisso é disponibilizar recursos para apoio institucional e atividade de organizações da sociedade civil e de defensores e defensoras de direitos humanos em todo o territorio nacional, priorizando aqueles que disponham de poucos recursos ou que tenham dificuldades de acesso a outras fontes.
A SELEÇÃO DE PROJETOS EM 2010
Que tipo de projetos o Fundo Brasil de Direitos Humanos vai apoiar em 2010?
- Os que tenham por objetivo combater a violência institucional e a discriminação;
- aqueles cujos custos sejam de no mínimo R$ 10.000,00 (dez mil reais) e no máximo R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) para até um ano de duração.
Observação: Em 2010 o Fundo Brasil de Direitos Humanos irá doar até R$ 625.000,00 (seiscentos e vinte e cinco mil reais) em projetos. O Fundo prioriza o apoio a projetos institucionais, mas poderá oferecer bolsas individuais, desde que as propostas apresentadas por indivíduos atendam os mesmos requisitos deste edital.
Que elementos serão considerados para a seleção dos projetos?
- adequação no foco do edital;
- impacto social pretendido;
- potencial efeito multiplicador do projeto;
- criatividade e caráter inovador da proposta;
- existência de vínculos estreitos com as comunidades com as quais as propostas se relacionam;
- adequação da proposta às necessidades reais da comunidade ou do público diretamente beneficiado;
- idoneidade e legitimidade do grupo, organização ou individuo que pretende executar as atividades;
- capacidade para o desenvolvimento do projeto proposto;
- diversidade regional.
Como fazer para enviar seu projeto?

O proponente deve preencher o formulário e enviar por correio até 23 de março de 2010.
que se encontra no site bem como  todas informações sobre o edital  www.fundodireitoshumanos.org.br

O que acontece com o projeto depois que é encaminhado ao Fundo Brasil de Direitos Humanos?

A equipe do Fundo Brasil examina o material e, se preciso, solicita ao proponente novas informações ou esclarecimentos sobre a proposta. Os projetos são analisados e encaminhados a um Comitê de Seleção, formado por especialistas. O Comitê se reunirá para indicar quais os projetos serão apoiados, ficando a decisão final a cargo do Conselho Curador. O resultado do processo de seleção será informado pelo site a partir de 02 de julho de 2010.

Ipea lança portal com mapas de informações sociais dos municípios

 

Ipea lança portal com mapas de informações sociais dos municípios
Por Redação do IDG Now!
Endereço do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada oferecerá dados publicados por ministérios e demais órgãos federais do Brasil.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresenta nesta quinta-feira (28/1) o portal Mapas Ipea, endereço que permitirá aos usuários identificar, no mapa nacional, informações sobre os municípios do Brasil.
A nova plataforma, elaborada a partir do software livre I3Geo, oferece dados publicados por ministérios e demais órgãos federais, além de funcionar com um buscador de pesquisas sociais. Podem ser consultados PIB interno, estatísticas de educação e outras informações relevantes ao cidadão.
Segundo o Ipea, qualquer pessoa poderá montar seu próprio mapa, sobrepondo as camadas de dados que lhe interessam, permitindo novos cruzamentos de dados. Por meio dele será possível, por exemplo, obter detalhes sobre as 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
O novo portal estará disponível em quatro idiomas (português, inglês, espanhol e italiano), e será constantemente atualizado com novas bases de dados, informou o instituto.
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sábado, 30 de janeiro de 2010

Governo Federal assume compromissos com clubes sociais negros do Brasil

 

Por Lisandro Paim - jornalista MTE 12878

Governo Federal assume compromissos com clubes sociais negros do Brasil

Em Minas Gerais, ministro Edson Santos confirmou apoio para reestrututração física das entidades e registro de memória durante Encontro Nacional de Clubes.  RS  possui  53  entidades

O II Encontro Nacional de Clubes Sociais Negros, realizado entre os dias 29 e 31/01, na cidade de Sabará-MG, reúne diversas autoridades, pesquisadores e dirigentes de cerca de cem clubes e sociedades negras de cinco estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina Rio de Janeiro e São Paulo). Na abertura do evento, na noite desta sexta-feira (29/01) no Teatro Municipal de Sabará, o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, assegurou recursos para a recuperação física destas entidades culturais e históricas e para o desenvolvimento do projeto de registro de memória e história, que levará ao registro como patrimônio imaterial e cultural brasileiro.

“É preciso resgatar esta dívida que o Estado tem com os clubes sociais negros que hoje vivem grandes dificuldades, mas são um importante instrumento de resistência contra a segregação e o preconceito, promovendo a auto-estima da comunidade afrobrasileira”, afirmou o ministro. Acrescentou que o governo federal estará viabilizando recursos para garantir a sustentabilidade destas entidades, possibilitando que se tornem pólos de empreendedorismo negro, além de buscar alternativas para a realização de um mapeamento, pesquisa e registro das entidades.

O evento em Sabará também serve para analisar as atividades realizadas desde 2006, quando ocorreu o primeiro encontro em Santa Maria (RS). Em 2008, a SEPPIR viabilizou oficinas com os representantes dos clubes sociais. A intenção foi fomentar a articulação entre os grupos e formar uma rede de parceiros. O projeto de capacitação de gestores é resultante de uma dessas oficinas, assim como pedido de registro dos clubes sociais negros, em 2009, como patrimônio cultural imaterial no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), fruto de discussões na Comissão Nacional dos Clubes Sociais Negros.

Presenças

Participaram também da abertura oficial o prefeito de Sabará, William Borges, o deputado estadual Vander Borges (MG), a presidente do Clube Mundo Velho-MG, Maria de Lourdes Santos, a secretária de Educação de Belo Horizonte, Macaé Evaristo, o presidente da Câmara de Vereadores de Sabará, José Antônio de Lima, a diretora de Captação de Recursos de Santa Maria-RS, Valcenira Galsern, a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Kelly Social, e o professor doutor da Universidade Estadual da Zona Oeste-RJ, Amauri Mendes Pereira. Estiveram presentes os membros da Comissão Nacional de Clubes Sociais Negros de quatro estados: Giane Vargas Escobar (RS), Luis Alberto da Silva (RS), Kelly Oliveira (SP), Kelly Cardozo (MG), Armando Farias (SC).


Clubes Negros

Os clubes sociais negros são espaços associativos de convívio social do grupo étnico afro-brasileiro. Voluntariamente constituídos, têm caráter beneficente, recreativo e cultural, e desenvolvem atividades em espaços físicos próprios. Com base nesse conceito, até o momento foram identificados cem clubes negros em cinco estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Os primeiros clubes surgiram no fim do século 19 – logo depois da abolição da escravatura –, época em que os negros eram freqüentemente barrados em lugares de lazer da sociedade da época. A partir da rejeição, esses grupos começaram a construir os próprios espaços de socialização. Era uma forma de resistência ao sistema escravagista ainda vigente. Os antigos clubes também surgiram com o objetivo de angariar fundos para o pagamento da liberdade dos escravizados. Os espaços, mantidos pelos próprios associados, contam a história dos negros brasileiros por meio de documentos, fotografias, livros e pela memória dos integrantes.

Com 53 clubes sociais negros, o Rio Grande do Sul possui a maioria destas entidades que resistiram a dificuldades financeiras, e muitas vezes, a falta de apoio e reconhecimento do poder público. A Sociedade Floresta Aurora, de Porto Alegre-RS, com 137 anos de existência, foi o primeiro clube social negro criado antes mesmo da abolição da escravatura. A delegação gaúcha conta com aproximadamente 40 representantes.

Ao final do Encontro será aprovada a Carta de Sabará, que norteará as ações do movimento clubista para os próximos anos, assim como será empossada a nova Comissão Nacional de Clubes Negros.

Confira a programação do evento:

Programação II Encontro dos Clubes Negros
29/1 (sexta-feira)
19h – Cerimônia de abertura
- Hino Nacional (Orquestra de Violão da Casa Azul – Maestro Ênio Barreto)
- Pronunciamentos Oficiais
Ministro Edson Santos (SEPPIR)
Secretário Agostinho Patrus (SEDESE/MG)
Prefeito William Borges (Prefeitura Municipal de Sabará - PMS)
Prefeito César Schirmer (Santa Maria/RS)
Presidente Zulu Araújo (Fundação Cultural Palmares)
Presidente Maria de Lourdes Santos Ida (Clube Mundo Velho/MG)
- Homenagem ao poeta Oliveira Silveira (ex-articulador da Comissão Nacional dos Clubes Sociais Negros)
- Performance poética: Conceição Evaristo (escritora)
21h - Apresentação: “II Encontro Nacional de Clubes Sociais Negros: objetivos e perspectivas”
Professor Amauri Mendes Pereira (UEZO-RJ) e secretária municipal de Desenvolvimento Social Kelly Cardozo (SEMDES/Sabará)
- Encerramento

30/1 (sábado)
9h - Conferência
“Os Clubes Negros na trajetória do movimento social negro”
Professor Amauri Mendes Pereira (UEZO-RJ)
Coordenação: Kelly Cristina Ferreira (Clube 28 de Setembro/SP)
10h30 - Mesa-redonda “O Planejamento Estratégico no cotidiano dos Clubes Negros”
Subsecretário de Ações Afirmativas da SEPPIR Martvs das Chagas
Cleves Alves Machado (SEDESE/MG)
Coordenação: Maria de Lourdes Santos Ida (Clube Mundo Velho/MG)
14h30 – Oficina de planejamento estratégico “Demandas e perspectivas para os Clubes Sociais Negros”
Coordenação: Professora Íris Amâncio (UFF)
16h30 – Palestra “Clubes negros – tradição cultural, gênero e raça”
Professora Josefina da Silva (UFC)
Coordenação: Kelly Cardozo (SEMDES/Sabará)
18h30 – Apresentação cultural “Mineiríssima Clara” – Wagner Calixto e Banda
31/1 (domingo)
9h30 – Palestra
“A organização jurídica dos clubes negros: associação, federação ou confederação”
Reinaldo Silva Pimentel (SEDESE/MG)
Coordenação: Luiz Alberto Silva (Clube Floresta Aurora)
Debate
10h30 – Votação de proposta e cerimônia de posse da Comissão Nacional de Clubes Sociais Negros
Coordenação: Renata Melo (assessora técnica da SEPPIR/PR)

Crédito fotos: Lisandro Paim

1868 - comissão nacional com ministro

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1890 - abertura do evento

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1897 – público

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1903 - discurso do ministro SeppirPICT1903

1905 - prefeito de Sabará – MG

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1921 - fachada do Clube Mundo Velho-MG

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Por Lisandro Paim - jornalista
Presidente da Associação Cultural e Beneficente Seis de Maio - Gravataí/RS
Coordenador Região Metropolitana Movimento Clubista/RS

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

SEDH lança campanha de Carnaval

Em 2010, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, terá uma ação especial de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no Carnaval. Como acontece desde 2006, a SEDH lançou uma campanha que busca mobilizar a população contra esse crime e denunciá-lo, através do Ligue 100.

A campanha do Carnaval de 2010 é uma reedição da campanha de 2009, que busca aproximar o enfrentamento da violência sexual de imagens e mensagens típicas do carnaval. Com o slogan “Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é Crime. Denuncie! Procure o Conselho Tutelar de sua cidade ou disque 100”, a campanha traz como ícone uma adolescente fantasiada de pierrot. A lágrima, traço característico desse personagem, denota a dor e o sofrimento das crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
A campanha continuará a enfatizar que as denúncias devem ser feitas não somente ao Disque 100, mas também ao Conselho Tutelar. Trata-se de uma diretriz do Governo Federal de fortalecer as instituições locais que também recebem denúncias.
A Campanha do Carnaval é uma das estratégias articuladas e executadas em parceria entre o Governo, a sociedade civil brasileira e organizações e organismos internacionais para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes e a garantia de seus direitos.


CAMPANHA NACIONAL DE ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO CARNAVAL 2010

A Campanha do Carnaval é uma das estratégias articuladas e executadas em parceria entre o Governo, a sociedade civil e organizações e organismos internacionais para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes e a garantia dos seus direitos. A 5ª edição da Campanha é coordenada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República - SEDH/PR.
O objetivo é prevenir a violência sexual contra crianças e adolescentes e estimular as denúncias dos casos ao Disque Denúncia Nacional - Disque 100 ou no Conselho Tutelar mais próximo.
Com o slogan "Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é Crime. denuncie! Procure o Conselho Tutelar de sua cidade ou Disque 100", a campanha de 2010 relaciona o enfrentamento da violência sexual de com imagens típicas do Carnaval. Por isso, traz como marca um pierrô com uma lágrima escorrendo no rosto. A lágrima denota aqui a dor e o sofrimento de meninas e meninos vítimas de violência sexual.
Em 2010 a campanha estará presente em 15 cidades: Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus, Belém, São Paulo, Vitória, Corumbá, Porto Alegre, Brasília, Florianópolis, Porto Velho, Belo Horizonte e Campo Grande.
Durante as folias de Carnaval serão distribuídas camisetas, abanadores, cartazes, adesivos, bandanas, fitas para amarrar no pulso, tatuagens temporárias, além de peças em inglês e espanhol para uso da Polícia Federal junto aos turistas estrangeiros.
O lançamento nacional será realizado no dia 8 de fevereiro, às 16h, no Anfiteatro do Morro da Urca, no Rio de Janeiro
A solicitação de artes gráficas deve ser feita por meio do endereço eletrônico: campanhacarnaval@sedh.gov.br .
Baixe aqui o material da campanha:
Abanador
Adesivo
Adesivo barco
Bandana
Banner eletrônico
Camiseta

Cartaz

Fitinha

Tatuagem

Jingle

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Childhood realiza pesquisa que aponta riscos e vulnerabilidades de crianças e adolescentes vítimas da exploração sexual

Foram ouvidas vítimas com idades entre 10 e 19 anos em oito estados brasileiros sobre questões como saúde, drogas, suicídio, violência e sexualidade.

A Childhood Brasil, organização que trabalha pela proteção da infância e adolescência contra a violência sexual, realiza pela primeira vez no Brasil a pesquisa “Vítimas da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes: Indicadores de Risco, Vulnerabilidade e Proteção”, que avalia o contexto de risco, vulnerabilidade e os indicadores de proteção para meninas e meninos envolvidos em situações de exploração sexual.
O estudo é inédito no país por abordar o tema em uma perspectiva multimétodo (contemplando dados quantitativos e qualitativos) e multicêntrico (com amostras de todas as regiões do Brasil). A pesquisa foi realizada em oito estados brasileiros (Pará, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia, São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul) e ouviu crianças e adolescentes com idades entre 10 e 19 anos, vítimas desse tipo de violência. A equipe de pesquisadores foi coordenada pelo Prof. Dr. Elder Cerqueira-Santos, da Universidade Federal de Sergipe.
No total, foram ouvidas 69 crianças e adolescentes, sendo 66 meninas. Todos tinham vínculo com instituições de assistência. Entre os dados mais significativos obtidos estão:

  • Índice de 60,9% daqueles que já pensaram em suicídio, sendo que 58,1% efetivamente já tentaram tirar a própria vida. Este percentual é mais de dez vezes superior ao relatado por jovens em situação de risco no Brasil – cerca de 6%. Como justificativa para este quadro os jovens apontaram problemas familiares e a falta de sentido para viver. Dos que declararam já ter tentado suicídio, 20% o fizeram em razão da violência sexual sofrida.
  • Apenas 29% demonstraram preocupação por ser contaminado por HIV/AIDS, sendo que a maioria – 86,8% - declararam saber o que é a doença e 41,5% sabem onde é possível fazer os testes para diagnosticá-la.
  • Cerca de 30% das participantes meninas já passaram por pelo menos um episódio de gravidez. Da mostra total, 17% já perderam um ou mais filhos em abortos naturais (6%) ou provocados (11%). Apenas 5,8% delas vivem com seus filhos.
  • Um terço das participantes declarou ter parado de estudar em decorrência da gravidez e 21,7% delas afirmaram que foram expulsas de casa.
  • Para ter acesso à droga, 36% afirmaram “transar” em troca de dinheiro. As drogas mais consumidas por esses jovens foram álcool, 88% e cigarro, 63%. Dentre as drogas ilícitas a maconha aparece com 32% de consumo, seguida por inalantes, 32% (cola e loló, por exemplo) e remédios, com 23%.

Síntese
De modo geral, as vítimas ainda moram com a família, mesmo tendo relatado história de abuso intrafamiliar e envolvimento de parentes na inserção ou manutenção da exploração sexual comercial. Apesar de não haver nenhuma ação social voltada especificamente para essa família, a pesquisa mostrou que o maior medo da maioria das vítimas é perdê-la (76,8%).
Mesmo entre as crianças e adolescentes vítimas, é possível fazer uma distinção. Aqueles que ainda permanecem envolvidos na exploração sexual comercial apresentam média de idade mais alta (15,32 anos) e tiveram o primeiro coito mais cedo (12,7 anos). Também têm menos vínculo com a família (53%), estão fora da escola (34,1%) e possuem renda familiar mais alta (R$ 457). Seu nível de religiosidade é mais baixo (2,8 pontos em uma escala de 1 a 5) e sofreram mais abuso sexual (média de 1,43 em uma escala de 1 a 5).
O percentual de participantes que declara a exploração com ganhos financeiros aumentou de 60% no passado para 65% no presente. Esta constatação é preocupante, pois indica que, mesmo estando em instituições de assistência, essas crianças/adolescentes continuam se envolvendo na ESCA.
Chama a atenção também o fato de que o acesso a bens de consumo e drogas é o principal destino dado aos ganhos oriundos do envolvimento com a situação de exploração sexual. Apesar disso, a pesquisa mostrou que, mesmo ligadas a uma instituição de assistência, as crianças e adolescentes continuam envolvidos com a exploração comercial. Por outro lado, a instituição escolar aparece na pesquisa como uma rede de apoio eficaz. Os dados indicam a escola como a principal variável para aumento da auto-estima, qualidade de vida e afastamento da situação de exploração.
Programa Na Mão Certa

A pesquisa que acaba de ser concluída é uma nova etapa do trabalho desenvolvido pelo Programa Na Mão Certa que desde 2006 mobiliza governos, empresas e organizações do terceiro setor em torno do enfrentamento mais eficaz da exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras. Ela foi realizada com o apoio financeiro das empresas Fibria, Gerdau e Veracel empresas signatárias do Programa Na Mão Certa.
Para acessar a publicação da pesquisa:
1. Resumo executivo
2. Relatório
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O perfil do caminhoneiro no Brasil

Esta pesquisa foi realizada nas principais rodovias brasileiras e traça um amplo perfil do caminhoneiro brasileiro. Conduzida pelo programa de pós-graduação em psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em parceria com o Childhood Brasil (Instituto WCF), apresenta um levantamento sobre quem são e como vivem os caminhoneiros atualmente em atividade no Brasil.

Responsáveis pelo transporte de mais de 60% de toda a carga movimentada no país, esses profissionais passam a maior parte da vida deles na boléia do caminhão.
O objetivo do estudo é conhecer o caminhoneiro e obter dele, dentre outras informações, como se relaciona com a temática da exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias, já que está diretamente exposto ao problema em praticamente todas as estradas por onde passa.
Os resultados aqui apresentados subsidiam as ações do Programa Na Mão Certa, idealizado pelo Childhood Brasil e que busca mobilizar a sociedade para o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias brasileiras.
Faça download
1. Resumo executivo
2

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

FW: Boletim Nr.105 - Entrevista do Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança à revista Catolicismo

 

Sem Medo da Verdade
Boletim Eletrônico de Atualidades - N° 105 - 28/01/2010
www.paznocampo.org.br


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Fim do direito de propriedade

e da livre iniciativa?

O Plano de Direitos Humanos do governo Lula prepara no campo uma coletivização sem precedentes, um engessamento da produção, a destruição do agronegócio e do instituto da propriedade privada

No dia 21 de dezembro de 2009, quando todas as atenções se voltavam para as comemorações do Natal e da passagem de ano, o presidente Lula assinava — sem ler, segundo declarou —, acompanhado por 31ministros, o decreto 7037/2009, que aprova o “Plano Nacional de Direitos Humanos” (PNDH-3).

As primeiras notícias a respeito davam conta de que esse decreto, pelo menos em grande parte de seu conteúdo, abre caminho para uma revisão unilateral da Lei da Anistia e põe na berlinda os militares que participaram da Revolução de 1964.

Porém uma leitura mais atenta do decreto, sobretudo de seu anexo, deixa ver uma realidade assustadora. Trata-se de um plano que, em seu conjunto, visa à demolição de princípios básicos de nossa civilização ocidental e cristã. O decreto chegou a ser qualificado de golpe branco ou revisão da Constituição, e alguns o denominam Constituição do Lula!

Qual o alcance que esse assustador ato do Executivo pode ter na produção agrícola nacional?

Para responder a esta e outras perguntas, é preciso começar por conhecer a real situação do campo brasileiro.

Catolicismo entrevistou um profundo conhecedor do assunto, o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, trineto de Dom Pedro II, bisneto da Princesa Isabel, Príncipe Imperial do Brasil. Como Príncipe católico, ele cumpre sua missão histórica de zelar pelas instituições cristãs de nossa Pátria, junto com seu irmão Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, ao qual segue na linha de sucessão.

Dom Bertrand percorre anualmente dezenas de cidades brasileiras, participando de eventos, fazendo conferências, dando entrevistas. Na qualidade de coordenador nacional do Movimento Paz no Campo, vem atuando no setor agropecuário do País, especialmente na defesa da propriedade privada e da livre iniciativa — princípios fundamentais da civilização cristã.

* * *

Catolicismo — Como pode ser definida a missão do Movimento Paz no Campo?

Dom Bertrand — O movimento tem por missão, em primeiro lugar, denunciar o conúbio das esquerdas contra a propriedade no campo, sobretudo da esquerda católica — CPT (Comissão Pastoral da Terra), CIMI (Conselho Indigenista Missionário), CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) — com movimentos ditos sociais, como o MST e congêneres, quilombolas, indigenistas, ambientalistas e inumeráveis ONGs que seguem essa orientação. Em segundo lugar, procura tornar patente à opinião pública nacional — que se revela majoritariamente centrista e conservadora — quais são os métodos e metas dos inimigos da agropecuária e do agronegócio. Em terceiro lugar, sugere coalizões com as forças vivas da Nação que reconhecem, em seus respectivos âmbitos de atuação, que o atual problema do campo é fundamentalmente ideológico. Pois o que está em jogo é a tentativa esquerdista de golpear a propriedade privada e a livre iniciativa no País e implantar um regime socialista. Ou seja, uma utopia repleta de “sonhos” irrealizáveis, apresentados pelos detentores do poder à opinião pública como benévolos, mas que se revelam sanguinários, antinaturais e destruidores de todo valor civilizatório, especialmente da civilização cristã. Os socialistas, mesmo quando não utilizam métodos terroristas, governam com mão-de-ferro.

Em toda nossa atuação, seguimos a senda do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, que iniciou há mais de 50 anos esta batalha monumental, pacífica e legal em que hoje continuamos envolvidos, dando prosseguimento ao seu denodado esforço contra a Reforma Agrária socialista e confiscatória.

Catolicismo — A referência ao Prof. Plinio faz-nos lembrar que a reedição do livro Tribalismo Indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil do século XXI, mereceu do ministro Marco Aurélio Mello, em seu voto no STF contrário à demarcação contínua das terras da Raposa Serra do Sol, o qualificativo de profético. Dom Bertrand poderia explicar melhor por que essa obra é considerada profética?

Dom Bertrand — É impressionante o fato de que, há mais de 30 anos, Dr. Plinio tenha previsto o estado atual da questão indígena. Ele denunciou que uma corrente missionária mostrava-se contrária à catequização e à civilização dos índios. Para essa corrente, os silvícolas deveriam manter o primitivismo de seus antepassados, considerando-os o tipo humano ideal para o terceiro milênio. O Bem-aventurado Anchieta e o Pe. Manoel da Nóbrega passaram a ser objeto de pesadas críticas.

Para exemplificar o caráter profético do livro, transcrevo dele como exemplo esta frase: A questão indígena é a espoleta de uma crise agrária no País”. Sabe-se hoje comprovadamente que as demarcações de terras ditas indígenas e a expulsão de milhares de famílias, sobretudo de pequenos agricultores, são obtidas por meio de laudos falsos ou pelo menos duvidosos. E por aí entendemos até onde vai o viés ideológico com que se provocam crises reais com agentes artificiais. Tanto mais que o prazo é exíguo para contestar as “fábricas de índios” autodeclarados, ou então a nova invenção dos antropólogos da Funai — os “povos ressurgidos”, nascidos nas cinzas de suas utopias.

Outras importantes citações: “A ‘missiologia atualizada’ é extremamente ciosa da propriedade coletiva das tribos de índios”; “Vivendo em regime comunitário, os índios não precisam da Igreja”. Estas e muitíssimas outras frases evidenciam as coincidências entre situações de hoje e as do livro, no entanto editado há mais de 30 anos.

As duas edições da obra esgotaram-se rapidamente. A atual reedição vem acompanhada de uma segunda parte, de autoria dos jornalistas Nelson Ramos Barretto e Paulo Henrique Chaves, que analisa a atualidade da ameaça indígena.

Catolicismo — Dom Bertrand tem falado muito sobre as ameaças que, como “espada de Dâmocles”, pairam sobre a cabeça do agricultor. Poderia explicitar tais ameaças?

Dom Bertrand — A política do atual Governo Federal golpeia fortemente o agronegócio, responsável entretanto por quase 40% de nosso PIB. Dominados por idéias socialistas e comunistas, os bem remunerados funcionários do Estado aparelharam a máquina estatal. E a partir desses postos decisivos destilam em decretos, portarias e outros expedientes administrativos toda sua aversão contra a propriedade privada e a livre iniciativa.

Na nossa atuação em vastíssima área do território nacional, constatamos várias ameaças aos proprietários rurais e aos empreendedores do agronegócio: ameaça do MST e da Reforma Agrária socialista e confiscatória; ameaça dos movimentos induzidos de negros e quilombolas; ameaças ambientalistas; ameaça de novos índices inatingíveis de produtividade agrícola; ameaça decorrente das mentiras relativas ao chamado “trabalho escravo”; ameaça de substituição do agronegócio pela “agricultura familiar”. O produtor rural está deixando de existir no campo, enquanto as terras recebem destinações que engessam ou impedem a produção. Mais de 70% do território nacional já não pode se utilizado para a produção agropecuária!

Nosso movimento Paz no Campo lançou nos dois últimos anos várias obras, cujas edições somam 25 mil exemplares, combatendo em todas essas frentes e denunciando a conjuração em curso. A revista Catolicismo nos tem dado ampla cobertura, apresentado abrangente análise dessas obras e da situação do campo.

Catolicismo — Como podem os leitores de Catolicismo tomar conhecimento das atividades de Paz no Campo?

Dom Bertrand Usamos largamente a internet com o site www.paznocampo.org.br . Tenho meu blog http://www.paznocampo.org.br/Blog/Blog_db.asp. Recomendo ainda os blogs http://gpsdoagronegocio.blogspot.com e “Verde, nova cor do comunismo”: http://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com. Em todos estes espaços da Internet os leitores de Catolicismo podem acompanhar o dia-a-dia de nossa luta. Dispomos também do Boletim Eletrônico Sem medo da Verdade, atualmente com 30.000 destinatários, para o qual os interessados podem cadastrar-se no nosso site. Ele apresenta uma análise mais profunda de toda essa situação, difunde e promove nossas campanhas e transcreve as denúncias que a todo momento recebemos de proprietários rurais.

Nossas campanhas são ainda difundidas por caravanas de estudantes que percorrem o País; em entrevistas a rádios, jornais, revistas e TVs; participação em cerca de 50 eventos agropecuários por ano, com ampla distribuição de folhetos de esclarecimento. Também mantemos contatos com autoridades e produtores rurais em todo o Brasil.

Catolicismo — Como o produtor rural pode enfrentar tantas ameaças?

Dom Bertrand — O produtor rural é verdadeiramente um herói. Ele tem que produzir, e o faz com muita competência, mesmo tendo que enfrentar as intempéries, os entraves de financiamento, as dificuldades da venda, os problemas do mercado, tudo envolvendo atividades de alto risco. Em troca, o que ele recebe? Pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, é injuriado como “vigarista”; pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, é qualificado de “senhor feudal”; é amaldiçoado pelo bispo Dom Tomás Balduino da CPT; suas propriedades são freqüentemente invadidas pelo MST ou movimentos congêneres, com toda a conhecida violência desses organismos que, com toda impunidade, passam por cima das leis; ele pode ser expulso de suas terras, quando pessoas que se autodeclaram “quilombolas” afirmam gratuitamente que ali viviam seus antepassados; se tiver sorte, e suas terras escaparem desse cerco, poderão acabar sitiados em meio a reservas de terras de tribos indígenas ressurgidas; se sobreviver a tudo isso, terá que enfrentar as leis ambientais (perto de 16 mil disposições, segundo o ministro Reinhold Stephanes da Agricultura); é forçado a cuidar de sua reserva legal, proteger e replantar as matas ciliares, resguardar as áreas de proteção ambiental, sob pena de receber do Ibama pesadíssimas multas; é obrigado a fazer o georreferenciamento para o recadastramento de terras; etc, etc.

Os absurdos não param aí! Há também o risco de ser tachado de escravagista, devido ao mito do trabalho análogo ao do escravo, e ver seu nome incluído numa “lista suja” do Ministério do Trabalho, podendo ter sua terra confiscada para fins de Reforma Agrária.

Uma enxurrada de disposições trabalhistas, atos declaratórios, circulares, convenções, decretos, instruções normativas, leis complementares, medidas provisórias, normas regulamentadoras, notas técnicas, ordens de serviços, portarias, resoluções administrativas, resoluções normativas, resoluções recomendadas — tudo isso bem ao estilo totalitário ou ditatorial, regulamentando tudo sem nenhuma ligação com a realidade do nosso campo, onde as relações se desenvolvem com características pessoais e familiares, e não de acordo com a ideologia socialista.

A Constituição de 1988 estabeleceu ainda os Índices de Produtividade para o campo, outorgando ao Executivo um cheque em branco: o de revisar esses índices de tempos em tempos. Dois absurdos: primeiro a instituição desses índices; e segundo o deixá-los ao bel-prazer do Executivo. Quem não conseguir cumprir as exigências do índice terá sua terra declarada improdutiva e passível de desapropriação.

Sobre todas essas ameaças, recomendo a leitura das obras editadas por Paz no Campo.

Catolicismo — O recém-promulgado Decreto 7037/2009, que aprova o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), pode agravar essa situação?

Dom Bertrand — Certamente. Cito apenas um exemplo. Hoje, caso uma propriedade seja invadida, o proprietário pode pedir a reintegração de posse, que geralmente é concedida. Mas com o tal plano, para a reintegração de posse participarão os movimentos sociais para analisar os “direitos humanos” envolvidos, e o juiz ficará sujeito à decisão dessa audiência. É fácil imaginar como crescerão o número de invasões e a desordem no campo!

Esse decreto, a revista VEJA de 13 de janeiro de 2010 (n° 2147) denomina “coisa de maluco”, e afirma que “ao longo de 73 páginas eivadas de vociferações ideológicas e ataques ao neoliberalismo e ao agronegócio, [...] extingue o direito de propriedade. E emula o sistema chavista” de consultas populares. Será para isso que o governo está reaparelhando o tridente do diabo — Incra, Funai e Ibama—, dobrando o número de funcionários? Parece uma conjuração em marcha!

LIVROS DIVULGADOS POR PAZ NO CAMPO E RECOMENDADOS POR DOM BERTRAND

> Tribalismo Indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI, de Plinio Corrêa de Oliveira, com adendo de Nelson Ramos Barretto e Paulo Henrique Chaves

> Pastoral da Terra e MST incendeiam o País, de Gregório Vivanco Lopes

> Reforma Agrária, o mito e a realidade, de Nelson Ramos Barreto

> Trabalho Escravo, nova arma contra a propriedade privada, de Nelson Ramos Barretto

> A Revolução Quilombola, guerra racial, confisco agrário e urbano, coletivismo de Nelson Ramos Barretto e Paulo Henrique Chaves

> Agropecuária, atividade de alto risco, de Nelson Ramos Barretto e Paulo Henrique Chaves

___________________

Essas obras podem ser adquiridas por meio do siite

www.paznocampo.org.br

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Regularização de terras quilombolas no atual governo é maior do que no período entre 1995 e 2002

 

Regularização de terras quilombolas no atual governo é maior do que no período de 1995 a 2002

Na edição da última segunda-feira (25/1) o jornal Correio Braziliense cometeu um equívoco ao apresentar um quadro comparativo entre as regularizações fundiárias de áreas quilombolas nos últimos anos. O jornal afirma que "a concessão definitiva da posse de terras descendentes de escravos é 400% menor do Governo Lula em relação à gestão de FHC".

A reportagem desconsidera, no entanto, o fato de que o instrumento vigente na antiga gestão era o Decreto nº 3.912/01 - objeto de críticas generalizadas por não regulamentar os procedimentos administrativos necessários à identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação, titulação e registro imobiliário. Na prática, o decreto não foi capaz de fazer cumprir o Artigo 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, que assegura a propriedade definitiva das terras ancestralmente ocupadas por comunidades negras. Assim, dez dentre as 46 titulações realizadas no período entre 1995 e 2002 foram invalidadas judicialmente, e os processos precisaram ser retomados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Uma comparação correta da regularização fundiária entre as duas gestões está expressa no quadro abaixo, produzido pela Subsecretaria de Comunidades Tradicionais da SEPPIR/ PR, com base nos dados fornecidos pelo Incra.

Quadro Comparativo - Regularização Fundiária Quilombola

1995 a 2002

Títulos

Comunidades  beneficiadas

Área em hectares

Famílias beneficiadas

Títulos Emitidos

46

91

780.861,57

6.853

Títulos em processo atual de desintrusão pelo INCRA

10

11

297.266,49

2.270

2003 a 2008

Títulos

Comunidades beneficiadas

Área em hectares

Famílias beneficiadas

Títulos emitidos

60

82

174.469,02

4.217

Desintrusão - Durante a vigência do Decreto nº 3.912/01, a maioria das terras regularizadas efetivamente foram aquelas localizadas em áreas de propriedade da União. Ou então aquelas cujos processos foram conduzidos pelos governos estaduais, que se valeram de legislações próprias para promover a desintrusão - termo técnico utilizado para definir a remoção de não-quilombolas das terras demarcadas e a desapropriação dos imóveis particulares.

"A concessão de título para as comunidades remanescentes de quilombos realizada até 2002 não significou para muitas delas a posse da terra. Situam-se neste caso 289.651 hectares titulados pelo governo anterior em terras de domínio particular que não foram registrados em cartório porque as áreas correspondentes não foram desintrusadas", esclarece o Incra, explicando que os moradores antigos não foram indenizados e retirados do local. Assim, títulos expedidos, relativos a 2.270 famílias, não trouxeram a posse definitiva para as respectivas comunidades quilombolas.

Foi a partir do início do Governo Lula, em 2003, que se iniciaram amplos debates com especialistas do Direito, de movimentos sociais e integrantes do Governo, culminando com a criação de um Grupo de Trabalho sob coordenação da Casa Civil. Este momento representou um marco político no reconhecimento dos direitos dos quilombolas, pois surgiram novos paradigmas jurídicos para tratar do tema, como o Decreto nº 4.887/ 03. 

Outra demonstração da sensibilidade do atual governo em relação às comunidades remanescentes de quilombos foi o lançamento, em 2004, do Programa Brasil Quilombola (PBQ), que mobiliza 23 ministérios e órgãos federais e têm como principais objetivos a garantia do acesso à terra, ações de saúde e educação, construção de moradias, eletrificação, recuperação ambiental, incentivo ao desenvolvimento local, atendimento das famílias quilombolas pelos programas sociais, e medidas de preservação e promoção das manifestações culturais quilombolas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Estudo ajuda plano para igualdade racial

 

Reportagens

Brasília, 21/01/2010
Estudo ajuda plano para igualdade racial

Empresa selecionada pelo PNUD coordenará trabalho de consultorias que farão levantamento das iniciativas para reduzir desigualdades

Da PrimaPagina

Aprovado em junho de 2009, o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir) começa a sair do papel, apostando em políticas de ação afirmativa para reduzir as diferenças raciais que foram sendo estabelecidas ao longo dos séculos e que afetaram principalmente as populações negra e indígena.

Apesar de já terem sido definidos os 12 eixos que guiarão as ações do programa (entre eles trabalho, saúde e educação), ainda falta determinar os indicadores que ajudarão a atestar se negros, índios, ciganos e outras minorias estão, finalmente, conseguindo abrir caminho e dispor das mesmas ferramentas para se afirmar como iguais na sociedade brasileira.

A tarefa de definir estes indicadores será feita por uma empresa selecionada por meio de uma parceria da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) com o PNUD.

A firma será responsável por coordenar o trabalho das consultorias contratadas por seis agências da ONU - PNUD, Organização Internacional do Trabalho, Fundo de Populações das Nações Unidas, Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, Fundo das Nações Unidas para a Infância e Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher).

Estas consultorias farão um levantamento, nas diferentes secretarias e ministérios, das iniciativas existentes para reduzir as desigualdades raciais e avaliarão se os indicadores utilizados pelos órgãos são os melhores em termos quantitativos e qualitativos. Caso não sejam, vão propor ajustes e possíveis caminhos para elaborar formas de mensurar os resultados que sejam mais adequadas.

Um exemplo prático: o Programa Brasil Quilombola visa assegurar a esta comunidade a propriedade de suas terras, o desenvolvimento econômico sustentável e a preservação do patrimônio cultural material e imaterial deste grupo.

A forma encontrada pela Seppir para medir o resultado foi usando o percentual para verificar três braços da iniciativa (atendimento às comunidades quilombola, evolução dos grupos certificados como remanescentes de quilombos e evolução de quilombolas com terras tituladas).

Se as consultorias decidirem que não é a melhor maneira de comprovar a eficácia das ações da Secretaria para este grupo, vão propor um indicador para substituí-lo que considerem mais adequado.

A partir do estudo, a empresa coordenadora vai elaborar uma proposta que será apresentada à Seppir, em um processo que deve terminar em fevereiro. A Secretaria, então, avaliará as sugestões e definirá a sistematização e a metodologia de monitoramento a serem utilizadas.

Em seguida, a Seppir buscará sensibilizar os ministérios e secretarias para que adotem os parâmetros definidos em seus programas de combate às desigualdades raciais. Conforme explica o secretário-adjunto da Secretaria, Eloi Ferreira de Araujo, o objetivo do órgão é promover o que ele chama de "transversalidade", ou seja, o diálogo entre as instâncias governamentais.

Isso porque apesar de algumas ações implementadas, como programas dirigidos à saúde da população negra e a concessão de bolsas de iniciação científica para alunos que entraram nas universidades públicas por meio de reserva de vagas, a função da Seppir é, principalmente, monitorar as iniciativas para verificar se estão dando frutos concretos.

"A Seppir é um órgão articulador e monitora as políticas públicas de igualdade", explica o secretário-adjunto. A atuação do órgão, então, é a seguinte: cada Secretaria e Ministério elabora seus próprios projetos de fomento à inclusão destas populações e à igualdade racial.

Uma vez por mês, a Seppir e estas instâncias se reúnem para analisar os trabalhos e decidir quais políticas intensificar e quais reforçar.

Nelma Nunes

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Oito órgãos abrem inscrições para preencher 2,8 mil vagas; três em MT

Pelo menos oito órgãos, entre eles três federais, abrem inscrições nesta segunda (18) para 2.815 vagas, além de formação de cadastro de reserva, para todos os níveis de escolaridade. O Ministério do Trabalho, cujos salários chegam a R$ 13.067, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) oferecem vagas para Mato Grosso.
Ao todo, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) oferece 234 vagas, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) abriu 41 vagas temporárias, o Departamento Nacional de Produção Mineral oferece 256 vagas, o Metrô de São Paulo abriu concurso para cadastro de reserva, Minas Gerais Administração e Serviços S/A, com 810 vagas e cadastro, Empresa Baiana de Alimentos, que conta com 760 vagas e cadastro, e as prefeituras de Fortaleza (CE) e Mauá (SP), com o total de 714 vagas.
Confira abaixo:
Ministério do Trabalho
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) oferece 234 vagas ao cargo de auditor fiscal do trabalho. Para participar do concurso é preciso ter curso superior concluído, em qualquer área de graduação. O salário inicial é de R$ 13.067 com jornada semanal de 40 horas. Do total de vagas, 12 são reservadas a portadores de deficiência - veja aqui o edital.
A inscrição poderá ser feita somente na internet, no site www.esaf.fazenda.gov.br, entre 10h do dia 18 de janeiro de 2010 e 23h59 do dia 1º de fevereiro (horário de Brasília). O valor da taxa de inscrição é de R$ 130 e deve ser pago por meio de boleto eletrônico até o dia 2 de fevereiro, em toda rede bancária.
Só poderá solicitar a isenção da taxa o candidato inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e ser de família de baixa renda. O formulário para a requisição está disponível no mesmo site e deverá ser feita entre as 10h de 18 de janeiro e as 23h59 de 19 de janeiro.
As avaliações serão feitas por meio de duas provas objetivas, um teste discursivo e sindicância de vida pregressa. A data das provas ainda não foi divulgada.
As vagas são para as superintendências do Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul e Tocantins.
Inpe

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) abriu processo seletivo simplificado para 41 vagas temporárias para profissionais de nível médio e superior para exercício de atividades técnicas e de pesquisa. Os salários variam de R$ 2.250 a R$ 12.685,16 (veja aqui os editais).
O primeiro edital é destinado à contratação de 15 profissionais de nível médio e superior que atuarão no Centro de Rastreio e Controle de Satélites do Inpe, com vagas para São José dos Campos (SP), Cuiabá (MT) e Alcântara (MA).
As inscrições devem ser feitas entre os dias 18 a 29 de janeiro nas unidades de Cuiabá (MT), São Luís (MA) e São José dos Campos (SP) – os endereços estão no edital. Os salários vão de R$ 2.250 a R$ 8.300. A taxa de inscrição variam de R$ 45 a R$ 165.
No segundo edital, são 26 vagas de nível superior na área de Pesquisa em Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, para atuação em São José dos Campos e Cachoeira Paulista (SP), onde devem ser realizadas as inscrições também no período entre 18 e 29 de janeiro. Os salários vão de R$ 6.936,07 a R$ 12.685,16. As taxas de inscrição variam de R$ 120 a R$ 250.
Os contratos terão duração de 1 ano e poderão ser renovados até o prazo máximo de 4 anos.
O concurso terá prova escrita e análise curricular e de títulos. O endereço, a data e os horários de aplicação das provas serão oportunamente confirmados e divulgados, no endereço eletrônico www.inpe.br.
Departamento Nacional de Produção Mineral
O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) abriu concurso para 256 vagas em todas as capitais do país. Os salários vão de R$ 1.517,35 a R$ 8.267,46 (veja aqui o edital).
Para nível superior completo as vagas são para os cargos de analista administrativo (nas áreas de administração, biblioteconomia, contabilidade, direito, gestão de pessoas, manutenção predial) e especialista em recursos minerais para as áreas de auditoria externa, desenvolvimento e economia mineral, engenharia de minas, geologia, geologia e mineração, química e tecnologia da informação mineral.
De nível médio os cargos são de técnico administrativo (administração e contabilidade) e técnico em atividade de mineração (agrimensura e topografia, geologia e mineração e manutenção de banco de dados).
A remuneração aos cargos de nível superior é de R$ 3.058,46, acrescida de gratificação de produtividade de até R$ 1.785 para analista e de R$ 5.209 para especialista. Para nível médio o salário inicial é de R$ 1.517,35, com gratificação de produtividade de até R$ 702 para técnico administrativo e de até R$ 2.249 para técnico em atividade de mineração.
No ato da inscrição, os candidatos deverão optar pelo cargo/habilitação e pelo tipo de classificação – local ou nacional – conforme a oferta de vagas estabelecidas no edital. Caso opte pela classificação local, o candidato deverá escolher a cidade de sua opção para posse e exercício. Se optar pela classificação nacional, o candidato será lotado em uma das cidades que ofereçam vaga para o cargo/habilitação, observada a ordem de preferência de escolha determinada pela classificação no concurso.
O concurso público será composto de provas objetivas para todos os cargos e de prova discursiva para os cargos de nível superior. As provas serão realizadas nas cidades de Belém/PA, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Cuiabá/MT, Fortaleza/CE, Manaus/AM, Porto Alegre/RS, Porto Velho/RO, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e São Paulo/SP.
As inscrições devem ser feitas entre as 10h de 18 de janeiro de 2010 e as 23h59 do dia 31 de janeiro de 2010 pelo site www.movens.org.br. A taxa é de R$ 37 para cargos de nível médio e de R$ 65 para nível superior.
As provas objetivas estão previstas para 7 de março.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Secretaria de Educação cria disque-denúncia para combater discriminação contra alunos portadores de deficiência

 

Secretaria de Educação cria disque-denúncia para combater discriminação contra alunos portadores de deficiência

A Secretaria de Estado da Educação e do Esporte colocou o telefone 3315-1275 à disposição da sociedade para receber denúncias de atos discriminatórios contra alunos portadores de necessidades especiais. A medida, inédita no país, visa garantir que todas as escolas públicas e privadas de Alagoas garantam aos estudantes o direito de acesso à educação, sem distinção, conforme preveem a Constituição Federal, os planos Nacional e Estadual de Educação e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

A acessibilidade, permanência do aluno com necessidade especial na escola e o seu sucesso após a conclusão do ensino médio foram debatidos durante reunião entre o coordenador do Núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual, promotor Flávio Costa, e representantes do Governo do Estado, Prefeitura de Maceió, sociedade civil organizada e de entidades que atuam na garantia dos direitos da pessoa com deficiência. A Conselheira do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Nelma Nunes, representou a entidade na reunião.

No encontro no Ministério Público foi apresentada a proposta de criação de uma comissão mista, formada por treze instituições públicas e privadas, que, num prazo de 60 dias, terá a responsabilidade de elaborar uma proposta pedagógica de inclusão de portadores de deficiência na escola.

Caberá à comissão, de acordo com portaria publicada no Diário Oficial do Estado de Alagoas, realizar o mapeamento do número de vagas para o atendimento ao aluno portador de deficiência e definir as diretrizes que garantem o acesso e a continuidade dos estudos com sucesso, além da infraestrutura física e pedagógica necessária das unidades de ensino para atingir a metas estabelecidas. Um Fórum Permanente irá acompanhar, avaliar e discutir a implementação dessa diretrizes.

A comissão será composta por representantes da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, Conselho Estadual de Educação, Assembléia Legislativa de Alagoas, Secretaria Municipal de Educação de Maceió, Câmara de Vereadores de Maceió, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Federação dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de Alagoas, Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Estado de Alagoas, além de entidades de atendimento aos portadores dos mais diversos tipos de deficiência – física, auditiva, visual, intelectual e múltipla.

Segundo o promotor de Justiça, Flávio Costa, em Alagoas, 16,5% das pessoas possuem algum tipo de deficiência, índice acima da média nacional. “Temos uma dívida social muito antiga com o segmento e é preciso que sejam adotadas políticas urgentes para superar o preconceito e garantir a permanência do portador de deficiência na rede de ensino do estado”, afirmou. Em Alagoas, a maioria das escolas não dispõe de infraestrutura física adequada e profissionais capacitados pata atender a esse público. Esse é um dos desafios a serem enfrentados pela comissão.

Flavio Costa acrescentou que a reunião serviu para estabelecer metas entre as partes envolvidas e evitar a discriminação. “A partir do disque-denúncia da Secretaria de Estado da Educação – 3315-1275 -, o Ministério Público Estadual poderá atuar efetivamente para garantir o direito à educação do portador de deficiência. Todas as denúncias serão devidamente apuradas para que seja verificada a veracidade das informações e, se for constatado o abuso, será instaurado procedimento penal, civil e até administrativo, com o fechamento do estabelecimento de ensino”, concluiu.

Por Soraya Alves

Articuladora Estadual em Alagoas

Observatório Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

Nelma Nunes

Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos (SEMCDH)

ADE SIPIA-CT-Web - Alagoas

Fone/Fax: (82) 3315.1792 Cel.:(82) 8883.7564

Pelo portal Sipia CT (www.sipia.org.br), o cidadão poderá fazer a denúncia.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Participe com o CIESPI dos 20 anos do Estatuto

 


Em 2010 o Estatuto da Criança e do Adolescente completará 20 anos. É o momento oportuno para utilizarmos as comemorações em torno desta data para refletirmos sobre a lei: os avanços, os desafios que permanecem e os caminhos para sua superação.

Assim, a equipe do Centro Internacional de Estudos e Pesquisas Sobre a Infância (CIESPI), com apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), convida-o(a) a participar de uma breve enquete, cujo objetivo é captar múltiplos olhares sobre a lei.  Ao clicar no link abaixo, o Sr.(a) acessará um questionário breve e simples. Ao responde-lo, o(a) sr(a) fará parte desta iniciativa . 

http://www.ciespi.org.br/pesquisa-olhares-sobre-estatuto

As informações coletadas serão inseridas em uma base de dados que será utilizada como fonte de estudo, sem a identificação do participante, mantendo seu total anonimato.

Agradecemos desde já a sua participação e encaminhamos, anexo, carta de apresentação da Secretaria Especial de Direitos  Humanos da Presidência da República.

            Atenciosamente,

Equipe CIESPI 20 anos do Estatuto  www.ciespi.org.br

Nelma Nunes

Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos (SEMCDH)

ADE SIPIA-CT-Web - Alagoas

Fone/Fax: (82) 3315.1792 Cel.:(82) 8883.7564

Pelo portal Sipia CT (www.sipia.org.br), o cidadão poderá fazer a denúncia.

Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente - CEDCA

Rua Ladislau Neto, 367,  Centro CEP: 57020-010

Fone/Fax: (82) 3315.1792/1739

cedca_alagoas@hotmail.com www.conselhodacrianca.al.gov.br

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mapeamento etnográfico dá importante passo para inclusão - Alagoas

 

Quilombolas - Alagoas

Mapeamento etnográfico dá importante passo para inclusão

Com iniciativa, surgem novos horizontes para as comunidades reconhecidas, que podem participar de políticas públicas específicas e melhorar sua qualidade de vida

Nicolas Braga

Sandreana Melo Sandreana Melo
Mapeamento etnográfico garante acesso a políticas públicas destinadas a remanescentes de quilombos

A Gerência do Núcleo de Quilombolas deu importantíssimo passo para ajudar os remanescentes quilombolas a sair da condição de excluídos, com a conclusão do Mapeamento Etnográfico. Numa iniciativa inédita no Brasil, foram visitadas 45 comunidades nos últimos 2 anos. O ponto alto desse trabalho foi a entrega de 25 certificados de reconhecimento pela Fundação Cultural Palmares, no dia 18 de novembro de 2009, durante a semana da Consciência Negra, em solenidade ocorrida no Palácio República dos Palmares.
Com mais de 300 páginas que descrevem os aspectos sociais, culturais e econômicos de cada uma das comunidades visitadas, o mapeamento foi idealizado para ser uma ferramenta do processo de certificação das comunidades pela Fundação Cultural Palmares.
“Com o reconhecimento oficial da comunidade como remanescente de povos quilombolas, é mais fácil conseguir recursos para aplicação em projetos de melhoria de vida, entre eles construção de casas, estradas de acesso, postos de saúde, escolas e ampliação de programas sociais do governo federal”, explica Berenita Melo, gerente do Núcleo de Quilombolas do Iteral.
Para elaborar o mapeamento e sensibilizar os moradores sobre a importância da certificação, foi criada uma equipe coordenado por Berenita Melo, sob orientação do historiador Dirceu Lindoso e composta pelo antropólogo Christiano Barros e a cientista social Sandreana Melo. “Para que uma comunidade seja reconhecida oficialmente como remanescente de quilombo, é necessário que a iniciativa parta dela própria; um estudo ou a determinação de pessoas de fora não é suficiente”, explica a gerente do Núcleo Quilombola do Iteral.
Além do mapeamento, foi criado um acervo com mais de 3 mil fotografias onde estão retratados os remanescentes, suas casas, seus costumes e modo de vida. Estima-se que em Alagoas existam mais de 70 comunidades remanescentes de quilombos, mas apenas 23 eram certificadas oficialmente.
Segundo o diretor presidente do Iteral, Geraldo de Majella, a entrega dos certificados foi um passo importantíssimo que abre novos horizontes para as comunidades quilombolas, sendo um deles a participação em políticas públicas específicas destinadas aos remanescentes quilombolas.
“O Iteral trabalha para ajudar ao máximo as comunidades quilombolas para que elas saiam da condição de excluídas em que se encontram há séculos. Por isso, nós estamos trabalhando na confecção do mapa étnico cultural das comunidades remanescentes de quilombo de Alagoas. A primeira parte já foi concluída e resultou no reconhecimento de 25 comunidades e já concluímos as visitas de campo da segunda etapa e estamos no estágio de elaboração do relatório”, afirma o diretor.
De acordo com Majella, a intenção da autarquia é tornar público tanto o mapeamento em si como o acervo de imagens que foi criado. A princípio, esse material estará ao alcance do público no próprio site da autarquia, mas será estendido às bibliotecas públicas do Estado.
A gerente do Núcleo Quilombola do Iteral acrescentou que nessa segunda etapa do mapeamento também foram incluídas as vinte comunidades quilombolas alagoanas já certificadas devido à inexistência de informações sobre elas.
Iniciativa tem reconhecimento nacional
Reconhecendo o esforço desempenhado pela gerência do Núcleo Quilombola do Iteral, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, parabenizou a parceria entre os governos do Estado e federal. “Os quilombos são a representação simbólica e física da maior tragédia da história brasileira. Em Alagoas, tivemos o maior exemplo de resistência e também de massacre com a Serra da Barriga. O que o governo estadual e a Fundação Cultural Palmares, como órgão executor, têm feito, é reconhecer um direito que deveria ter sido reconhecido desde que o 1° negro pisou aqui”, afirma Zulu Araújo.
Para o remanescente Manoel Oliveira, mais conhecido como Bié, os quilombolas esperam mais respeito e que a qualidade de vida deles melhore com o decorrer do tempo. Ele destaca a infraestrutura, educação e saúde como as áreas que precisam de ações mais imediatas.
Nesse contexto, o Programa Brasil Alfabetizado, do Ministério da Educação, e que em Alagoas conta com o apoio da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, além do próprio Iteral, ampliou o número de salas em comunidades quilombolas. Hoje são 52 turmas em 31 comunidades certificadas e não certificadas de 18 municípios.
ALBINISMO — Quanto à saúde, no fim de outubro o mapeamento genético da comunidade de Filus foi concluído e sua população está sendo acompanhada por médicos a fim de prevenir e monitorar possíveis doenças provocadas em decorrência do albinismo. Esse trabaho está sendo feito pelo Hospital Universitário sob acompanhamento dos médicos Fernando Gomes, Cláudio Cavalcante e Issabela Monlle, com um importante apoio da ouvidora Márcia Rabello.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Cursos UNIAD INPAD - 2010

 

Nelma Nunes

Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos (SEMCDH)

ADE SIPIA-CT-Web - Alagoas

Fone/Fax: (82) 3315.1792 Cel.:(82) 8883.7564

Cursos UNIAD / INPAD 2010

1º semestre 2010


Aconselhamento em Dependência Química

O Aconselhamento é parte integrante do trabalho de todo profissional que atue na área de dependência química. Esse curso aprimora as diversas práticas que configuram as ações de: orientar, ajudar, informar, amparar e tratar o usuário ou dependentes
Coordenadores:
Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira
Profª. Dra Neliana Buzi Figlie
Objetivos do curso
- Capacitar o aluno para a realização de aconselhamento clínico individual e grupal para dependentes químicos e familiares.
- Informar sobre: aspectos biológicos e psicológicos de cada droga psicotrópica, relacionados às diferentes linhas de tratamento das
dependências químicas, noções básicas de prevenção, políticas públicas e organização de serviços. Leia mais

Acompanhamento Terapêutico nas Clínicas da Dependência

A dependência química é fundamentalmente uma relação alterada entre o indivíduo e o seu consumo de substâncias. Isso leva ao estreitamento do repertório destes usuários, empobrecendo habilidades adquiridas e impedindo o surgimento de nova.

O tratamento deve então ser considerado dentro de uma ampla gama de ações: presença de comorbidades e aspectos biológicos (p.ex. síndrome de abstinência), envolvimento familiar, afastamento de grupos e locais onde o usuário consumia drogas, incentivo a novas formas de relacionamento social.
A prática do AT promove ações capazes de ampliar e criar repertórios, sejam estes internos ou externos. Sua função pode ser adequada para o manejo de situações agudas (sintomas de abstinência), para auxiliar in loco a resolução de conflitos familiares e dificuldades sociais e favorecer o processo de retomada e/ou aquisição de espaços de convívio social. Além disso, passa a ser um interlocutor entre a equipe terapêutica e o ambiente de convívio do dependente.
Corpo docente:
Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira
Prof. Dr. Marcelo Ribeiro
Prof. Dr. Hamer Palhares
Lígia Bonacim Duailibi
Alessandra Bonadio
E convidados ... Leia mais

Capacitação em Terapia Familiar no Contexto de Álcool e Drogas

Frequentemente situações clínicas ou institucionais levam profissionais da área de saúde, educação ou jurídica se depararem com familiares em condições de conflito. No Campo da dependência o manejo a familiares é delicado, representa uma peça chave tanto para uma intervenção preventiva ou de tratamento, exigindo do profissional recursos e instrumentos que garantam uma conduta assertiva. Este curso procura capacitar o aluno frente aspectos como compreensão do sistema familiar, aplicação de abordagens familiares existentes no campo de álcool e drogas, condução de casos e procedimentos de encaminhamento.

Coordenação do Curso:
Prof. Roberta Payá

Supervisão:
Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira
Leia mais

Dependência Química e Diversidade Sexual

Devido ao preconceito, estigma, discriminação e violência sofridos pela comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (LGBTT), tem crescido em vários lugares do mundo movimentos reivindicatórios (por exemplo, a "Marcha do Orgulho Gay") como uma expressão do esforço para igualdade de seus direitos como cidadãos, aceitação social, e respeito a sua orientação sexual1.

A epidemia de AIDS nos anos 80 incitou a comunidade gay a reivindicar programas de prevenção de HIV e melhorias dos cuidados médicos, bem como a tentar desmistificar a idéia de "doença gay"2. Muitos progressos foram observados nesta área desde então; no entanto, HIV/AIDS não é o único problema que envolve a diversidade sexual3. Como bem escreveu Vange Leonel em sua coluna na Revista da Folha em 21 de junho de 2009, intitulada Na Saúde e Na Doença: “Sim, somos todos diferentes, mas sujeitos às mesmas delícias e interpéries: homossexuais se casam, se separam, ficam viúvos, são roubados, ganham na loteria, fazem sociedades, perdem emprego, recebem herança, tem filhos, são multados, protestam no PROCON, reivindicam aposentadoria, adoecem, pagam planos de saúde, declaram Imposto de Renda e, assim como heterossexuais, também podem se tornar dependentes de drogas”. Evidências têm demonstrado que homossexuais, bissexuais, transexuais e profissionais do sexo apresentam risco elevado para transtornos relacionados ao uso e abuso de substâncias psicoativas com pior prognóstico quando comparado à população geral4-6.

A maioria dos programas de tratamento destinados a usuários de substâncias psicoativas não investigam ou não abordam questões relativas à orientação afetivo-sexual de seus pacientes. Na prática, observa-se que poucos são os serviços especializados para ter este 'olhar diferenciado' e, freqüentemente, apresentam falta de recursos e/ ou treinamento para atender as necessidades desta população7-9.

Habilidades em reconhecer e estimular a reflexão crítica sobre as questões pertinentes às vulnerabilidades que atravessam o campo da dependência química e da diversidade sexual são fatores importantes no processo de acolhimento, de promoção de saúde e prevenção, de facilitação do acesso e da oferta de serviços e tratamentos adequados para esta população10 11.

Poucas são as pesquisas nacionais, assim como os equipamentos especializados nas duas áreas e as portas de entrada dos dispositivos de saúde que se dedicam a olhar atentamente estas complexas associações. Trata-se afinal de uma situação duplamente estigmatizante: o preconceito e os mitos fomentados pela mídia e pela estrutura política e social ajudam a excluir tanto os usuários de substâncias psicoativas como o público LGBTT.

A importância de se abordar estas duas temáticas reside na necessidade de iniciarmos neste país um debate informado, científico e respeitoso; uma vez que se trata de dois assuntos bastante carregados de estigmas, mitos, preconceitos e condutas "popularescas". Longe de "patologizar ou medicalizar" a questão, mas sim expandir horizontes e conceitos principalmente de profissionais da área da saúde que desejam ser mais assertivos em sua prática de cuidados e atenção a indivíduos desta comunidade.

Profissionais que atendem indivíduos com orientação homoafetiva com problemas de uso/abuso/dependência de substâncias psicoativas serão mais efetivos e assertivos em sua prática clínica diária se puderem compreender como estas comunidades são constituídas e definidas através de seus ícones, seus símbolos, seus festivais, seus rituais, sua linguagem. Assim como, compreender quais os padrões diversos de uso/abuso de álcool, tabaco e outras drogas, fatores de proteção e fatores de risco e as vulnerabilidades que envolvem este público9 11.

Corpo docente:

Dra. Alessandra Diehl

Dra. Denise Leite Vieira

Professor Luca Santoro

Professores convidados

Supervisão

Dra. Neliana Figlie

Dr. Cláudio Jerônimo da Silva

Dr. Ronaldo Laranjeira

Leia mais

Terapia Cognitivo Comportamental Aplicada ao Tratamento da Dependência Química

Corpo docente:

Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira
Profª Tânia Houck

Profª Neide Zanelatto

Objetivos do curso

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

 

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

O amor suporta todas as coisas! O amor supera todas as coisas!

Não é o amor a base de toda crença religiosa? Não é o amor a base de todas as lutas e conquistas para um mundo mais justo? É nesse espírito de união, de tolerância e de respeito à diversidade de crenças e não crenças que convidamos a todos para um ato ecumênico no dia 21 de janeiro na Praça do Ferreira as 16:00, onde teremos apresentações culturais e a presença de representantes das mais variadas religiões que contemplam a população cearense. Neste evento problemas como dissociação religiosa, fé e discriminação, preconceito de cor e credo serão abordados.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi sancionado pelo presidente Lula e , a data foi oficializada pela Lei nº 11.635 de 27 de dezembro de 2007,do deputado federal Daniel Almeida (PCdoB).

A data, 21 de janeiro, foi escolhida em homenagem à memória de Mãe Gilda, Yalorixá do Terreiro Abassá de Ogum, que morreu no ano 2000, depois de ter a sua imagem depreciada no Jornal Folha Universal. Procurando provocar o debate e gerar a tolerância, a cidade de Salvador foi a primeira no Brasil a ter um dia dedicado ao tema.

Independente de nossa crença ou mesmo não crença cabe observar que vivemos dentro de um contexto social onde todas as formas de intolerância e injustiça se tornam um câncer para uma harmonia social exigindo sempre uma resposta firme e determinada pautada numa ética e cidadania. Podemos então concluir que vivemos numa época em que devemos ter como meta a tolerância à diversidade religiosa, o respeito à autonomia do ser humano e principalmente a consciência de amar incondicionalmente o meu próximo. A declaração universal do direitos humanos afirma que toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Nelson Mandela afirma que as pessoas não nascem odiando e nem discriminando e se aprenderam a odiar, podem ser ensinadas a amar.

Contamos com sua presença para fortalecer nosso ato.

Comissão Organizadora:
Ana Regina ? 8865-7095/3482-9682
Vilma de Melo ? 8839-3166
Alves ? 8894-2040
Patrícia Matos ? 8835-1130

Sebastião Ramos 8780-1796

Mãe Constancia ? 8724-4415
Paulo Rogério ? 8670-1828
Álvaro Bezerra ? 8651-5703
Organização:
Fórum Religioso Afro-Brasileiro do Estado do Ceará
forum Estadual de Entidades do Movimento Negro do Ceará
Associação Afro Brasileira de Cultura ALAGBA
União Espirita Cearense de Umbanda

Grupo de Ex-Testemunhas de Jeová